História
O início
A ARCIAL – Associação para a Recuperação de Crianças Inadaptadas de Oliveira do Hospital resultou da mobilização de um conjunto de cidadãos do concelho de Oliveira do Hospital que estavam preocupados com a inexistência, a nível local, de respostas específicas que proporcionassem condições de aprendizagem e viabilizassem a integração social de crianças com perturbação de défice intelectual.
A 14 de fevereiro de 1980 foi constituída a escritura pública no Cartório Notarial de Oliveira do Hospital, tendo a ARCIAL sido registada como associação de duração ilimitada, que prossegue fins de interesse geral, não lucrativos. Desde essa ocasião que está inscrita nas Finanças como Associação Social. No mesmo ano, através de Despacho publicado no Diário da República, II Série, nº 289, de 16 de dezembro, a ARCIAL foi reconhecida como pessoa coletiva de utilidade pública, nos termos do Decreto-Lei nº 460/77, de 7 de novembro.
A primeira Direção, constituída pelas professoras Teresa Serra (presidente), Teresa Dinis e Natália Jorge, o médico António Vaz Pato e o advogado António Afonso Amaral, supervisionou o início das atividades com utentes, que se iniciaram a 31 de outubro de 1980, no edifício do antigo Colégio Brás Garcia Mascarenhas, em Oliveira do Hospital, o qual viria a funcionar como sede da instituição até 2010.
Desde a sua constituição que a ARCIAL promoveu a formação escolar e inserção social de crianças e jovens com deficiências e/ou incapacidades, para os quais as escolas regulares, ao nível do 1.º Ciclo do Ensino Básico, não apresentavam capacidade de resposta. Proporcionou ainda às crianças e jovens que aí desenvolveram a sua formação a possibilidade de efetuarem uma primeira abordagem a uma ocupação profissional, através da frequência de áreas de formação pré-profissional. Apoiada pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) era ministrada formação nas áreas de Cestaria e de Tecelagem.
Mais tarde, o acordo estabelecido com o Centro Regional de Segurança Social possibilitou o funcionamento de um Centro de Atividades Ocupacionais (CAO) para apoio a utentes com idade igual ou superior a 16 anos que não reunissem condições físicas e/ou mentais que permitissem o desenvolvimento de uma atividade profissional ou a aplicabilidade do regime de emprego protegido.
Alargamento de respostas
Pouco mais de uma década após o início do seu funcionamento, o ano de 1992 foi fulcral na redefinição do posicionamento da ARCIAL enquanto entidade e na reorientação dos serviços prestados. A 21 de outubro desse ano, procedeu-se ao registo na Direção Geral de Segurança Social como Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), depois de, em 2 de outubro de 1991, se ter procedido a uma alteração dos Estatutos.
E nesse mesmo ano, após candidatura aprovada pelo IEFP, no âmbito do Programa Integrar, a ARCIAL passou a proporcionar formação e integração profissional de jovens, que foi iniciada com um curso de Costura, frequentado por cinco Formandos. Desde essa altura, a Formação Profissional já ministrou cursos tão diversos como os de Serviços Domésticos e Limpezas, Conserto de Calçado, Ajudante de Cozinha ou Costureiro/Modista. Atualmente, a formação centra o seu funcionamento nos cursos de Cozinheiro, Assistente Familiar e de Apoio à Comunidade, Padaria e Pastelaria e Operador de Jardinagem.
Alguns anos mais tarde, na transição para o novo século, a Formação Profissional viria a estar na génese da criação da Arcial Serviços, empresa de inserção que iniciou atividade em fevereiro de 2000 e desenvolve, ainda hoje, atividade nas áreas de jardinagem e limpeza ao domicílio.
Uma nova casa
A 17 de fevereiro de 2010 foi inaugurada uma nova sede, na Rua António Monteiro, ainda em Oliveira do Hospital, um edifício moderno e adequado à implementação dos novos princípios que balizam os desafios da inclusão e dos reptos lançados pelas respostas sociais que foram sendo abraçadas ao longo de três décadas.
Quatro anos depois, em fevereiro de 2014, foram inauguradas duas residências autónomas, as primeiras do concelho de Oliveira do Hospital (uma feminina e uma masculina), com capacidade para acolhimento de dez utentes (cinco por edifício). E no ano seguinte, foi adotada uma nova denominação, passando a instituição a responder como ARCIAL – Associação para a Recuperação de Cidadãos Inadaptadas de Oliveira do Hospital.
A partir de setembro de 2017 a ARCIAL passou também a administrar o CRI (Centro de Recursos para a Inclusão) que presta apoio escolar e acompanhamento específico aos alunos dos agrupamentos de escolas de Oliveira do Hospital e de Tábua, num regresso à sua matriz fundadora de acompanhamento de jovens em idade escolar.
O ano de 2018 ficou marcado pela aquisição de um terreno na cidade de Oliveira do Hospital destinado à instalação de novos serviços ou respostas e que ficou designado como Quinta dos Carvalhos.
Em 2019, foram criados dois novos veículos de integração dos utentes, os quais, nos anos seguintes, virão a representar a instituição em inúmeros eventos desportivos e ocasiões festivas: a Academia de Desporto Adaptado e o Grupo de Cantares “um cantAR espeCIAL”.
A partir de março de 2021, as atividades ocupacionais passam a ser desenvolvidas pelo CACI – Centro de Atividades e Capacitação para a Inclusão, que vem substituir o CAO.
Mais tarde, em abril de 2023, foi inaugurado o Pólo II da instituição, numa cerimónia presidida pela Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho. No edifício, situado no Loteamento do Margarido, na cidade de Oliveira do Hospital, passou a funcionar toda a atividade de Formação Profissional dinamizada pela instituição.
Mais Serviços
O ano de 2026 assiste a novo salto em frente, corporizado pela entrada em funcionamento de duas novas respostas e a inauguração de duas novas Residências de Autonomização e Inclusão.
Iniciou funções o Centro de Recursos para a Qualificação e Emprego que serve o território composto pelos concelhos de Arganil, Góis, Oliveira do Hospital, Pampilhosa da Serra e Tábua, um serviço que alargou o raio da ação da instituição a toda a Beira Serra e lhe concedeu uma abrangência regional que ainda não tinha experienciado.
Entra também em funcionamento a Unidade Socio-Ocupacional (USO), uma resposta a desenvolver no âmbito da saúde mental com capacidade de integração para 10 pessoas.
Por sua vez, nas Residências de Autonomização e Inclusão é feita a abertura de duas novas unidades, que duplicam a capacidade instalada para acolhimento, passando a ARCIAL a dispor de quatro residências, duas femininas e duas masculinas, ocupadas por um total de 20 utentes.
Futuro
Atualmente, decorre a construção de um Lar Residencial destinado a receber trinta utentes em permanência, que deverá entrar em funcionamento em 2028. Edificado na Quinta dos Carvalhos, será o próximo serviço a enriquecer mais de quatro décadas duma História intensa e em permanentemente renovação, um novo testemunho da vontade de inovação e do compromisso com o serviço público vivenciados por todos os que passam pela ARCIAL.

